Acervo 3 – Mão de pilão

Fotografia de artefato de pedra com aspecto rugoso em formato cônico. Apresenta-se em posição vertical com a base mais grossa voltada para baixo e sua extremidade mais fina ,não pontiaguda, voltada para cima.

Artefatos líticos foram pouco encontrados quando comparados a grande quantidade cerâmica para sítios Guarani. Esta imagem mostra uma mão de pilão que foi encontrada no sítio arqueológico SC-PEST-07 (Parque Estadual da Serra do Tabuleiro-07) localizado nas Dunas da Gamboa, Paulo Lopes. Esta mão de pilão foi encontrada durante levantamento de sítios arqueológicos naquela região no ano de 1976. Este levantamento foi realizado pelos arqueólogos Alroino B. Eble e Maria José Reis, ligados na época ao Museu Universitário (atual MArquE) e estava inserido dentro de um projeto maior denominado “Parque Estadual da Serra do Tabuleiro: Aspectos Sociais e Culturais”, realizado em parceria com a UFSC e a Fundação de Tecnologia e Meio Ambiente (Fatma), como parte do Plano Diretor do Parque.

Mas o que uma mão de pilão pode nos dizer sobre os Guarani? Uma das informações é que possivelmente outro artefato estaria associado a esta peça, o pilão! Na imagem a mão de pilão foi confeccionada em material lítico (pedra), e nenhuma outra peça foi encontrada no sítio que pudesse ser associada ela; porém, como tratava-se de um levantamento de sítios arqueológicos, sem pretensão de uma pesquisa sistemática, as informações ficaram restritas a esta peça. Sabemos que os Guarani eram agricultores por excelência cultivando plantas como milho, mandioca, feijão, amendoim, batata-doce, abóbora, fumo; mas também que praticavam atividade de caça, pesca e coleta; a mão de pilão acima pode ter sido utilizada para processar alimentos em pilões que deveriam ter resistência suficiente para aguentar os golpes, portanto, possivelmente estaríamos falando de suportes em material lítico (pedra).

Fontes históricas e etnográficas relatam que os Guarani também fabricavam seus pilões (ângua) e mãos de pilão (ânguai) em madeira e as utilizavam para triturar alimentos como milho e mandioca, dentre outros. O fundo dos pilões era escavado e as formas poderiam ser cônicas ou chatas. Além disso, poderiam ser feitos em locais fora das aldeias e denominados de pilões fixos para utilização em atividades específicas (caça e pesca), nestes lugares. Viajantes e exploradores europeus relatam o ato de “pilar” como sendo uma atividade das mulheres e que mais de uma poderia estar envolvida na tarefa. Infelizmente madeira é algo bastante perecível (apodrece e some facilmente) e somente em casos excepcionais do solo se preservam, o que não é o caso para sítios Guarani. Felizmente, temos muitos registros históricos e etnográficos que apontam a utilização desta matéria prima não apenas para fabricação de pilões e mãos de pilões, mas na confecção de canoas, armadilhas de caça e pesca, armamentos como arcos e flechas, dentre outros.

Com as novas tecnologias (arqueometria), hoje podemos identificar restos de comida e outros materiais que permaneceram na superfície destes objetos, fornecendo dados sobre o que estava sendo processado em ferramentas como essa. Mas também o que poderia ter ficado no solo após a decomposição destes materiais perecíveis, mas que não conseguimos enxergar sem o auxílio de técnicas mais avançadas como esta.

Para saber mais, além das indicações que postamos aqui, sugerimos o acesso ao seguinte material:

Os Guarani e seus artefatos líticos: um estudo tecnológico no sul do Brasil, artigo de Rafael Guedes Milheira

 

Dados do Acervo: Mão de pilão – sítio arqueológico SC-PEST-07, Gamboa, Paulo Lopes, pesquisa Reis e Eble (Medidas: 15,0cm x 7,0cm)